Marcio S Galli, 10-11-2024
Você é escritor? Foi uma pergunta que não ouvi, então eu disse: "O quê?" "Você é escritor?" Mais uma vez, perguntei: "Como?" E então ela perguntou de novo: "Você é escritor?" Dessa vez, eu ouvi o que achei que havia escutado.
É meio assim mesmo porque parece uma condição da audição, ou, aquela situação quando alguém te faz um elogio e você olha para trás e por não encontrar ninguém volta com o sorriso de alguém que se entregou.
Mas eu ando assim, meio fazendo ou meio sendo, sem certeza. Sobre o que sei, sei que resolvi ficar longe daquele lugar onde pensava sobre ser ou não ser - um que me dá medo, que me deixa parado, assustado, para não dizer bloqueado - porque dizer bloqueado seria usar uma palavra reservada para escritores.
Com essa questão já resolvida, eu respondi devagar mas com um sorriso meio sem graça ou meio com graça que decidi me chamar de escritor. E antes de esperar uma reação estranha que conheço - meio engraçada ou meio sem graça - adiantei dizendo que não publiquei nenhum livro: Eu não publiquei nada. E esse movimento começou há um ano e meio. Eu sei isso parece uma história louca, ou de louco.
Senti um olhar de entendimento e que tinha dito algo coerente. Com isso, avancei e falei sobre os três livros:
Sobre o primeiro, sete anos. Esse foi o que decolou durante esses tempos “de escritor”. O segundo, que nasceu recentemente, é sobre escrita e neste momento é um rascunho de 120 páginas. E, de forma coerente com essa história louca e antes mesmo de qualquer livro publicado, nasceu um terceiro. Sobre esse último, expliquei que não fiz quase nada e que fiz uma proposta e enviei para uma editora conhecida. E disse que eles responderam com um sinal positivo. Parcial mas positivo, pois disseram que gostariam de ver o material.
Para concluir, apontei que sinto que o caminho todo me levou para escrever essa proposta. Não sei, eu disse com uma certa esperança, “talvez isso é um sinal”. Ela concordou.
E eu fiquei lá na mesa, refletindo mais um pouco sobre esse movimento e pensando com as mãos. Foi quando abri a capa do celular e encontrei uma fitinha de papel - daquelas de mensagem da sorte - que disse que "o mundo muda com seu exemplo, não com sua opinião.”